Pesquisa mostra impactos da seca na Amazônia

Seca na Amazônia

Foto/Divulgação

Redução da produção de biomassa, diminuição da riqueza e da densidade de samambaias e queda de 30% da taxa de fluxo de seiva bruta. Esses são os principais impactos da seca na Floresta Amazônica. Todos são fenômenos causados pelas mudanças climáticas. A conclusão é de uma pesquisa desenvolvida por 15 anos, por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi, e batizada de Estudo da Seca da Floresta (Esecaflor).

Entre 2002 e 2017, os pesquisadores Antônio Lola e Leandro Valle simularam períodos de seca prolongada na Floresta Nacional de Caxiuanã, a 400 km de Belém. O experimento foi feito em duas áreas de 10 mil metros quadrados cada, sendo que em uma delas, cerca de 50% da água da chuva foi eliminada do solo. A parcela A foi usada como testemunha para os estudos realizados na parcela B, de onde foi retirada parte da água da chuva. Isso foi feito com a construção de uma estrutura composta por 6 mil painéis plásticos, distribuídos a uma altura de até 3,5 metros acima do solo.

Toda a água captada foi transportada, por meio de calhas, para uma trincheira que a exclui por gravidade. As duas áreas controladas (uma com e outra sem cobertura artificial) criaram condições para a pesquisa. Os resultados apontam significativa redução da umidade do solo, diminuição da riqueza e da densidade de alguns grupos de vegetais, entre outros danos.

INTERAÇÃO

“A nossa meta principal é o entendimento do ciclo de carbono nas florestas tropicais, do balanço de biomassa aérea e subterrânea e da vulnerabilidade das florestas tropicais, além da compreensão da interação da floresta com todas as variáveis meteorológicas”, explica Antônio Lola, do Goeldi.

Segundo ele, é possível concluir, em termos gerais, que as florestas tropicais, “apesar de sua exuberância”, são extremamente vulneráveis às alterações ambientais, principalmente as relacionadas ao desgaste hídrico do solo. “Num futuro próximo, essa vulnerabilidade poderá causar alterações profundas na sua estrutura e composição”, destaca o pesquisador.

Diário do Pará

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